O que dá mais retorno: a manga do Flamengo ou a Stock?

Estava lendo uma matéria hoje e vi que está praticamente fechado um patrocínio na manga das camisas do Flamengo para o restante do ano. Valor: 3 milhões de reais.

Vamos lá. 3 milhões de reais é um patrocínio Master de uma equipe na Stock Car para uma temporada. Para dois carros. Precisa de um pouco mais de grana, mas 3 milhões da para começar.

Então faz de conta que sou o dono de uma empresa. Ai vem o meu departamento de marketing e fala assim:

- Sr. Nei. Temos três milhões para usar em marketing. Temos aqui duas propostas:

Proposta 1 – Manga da camisa do Flamengo. Maior torcida do país e vai disputar o Campeonato Brasileiro e a Copa Sul-americana. TV Globo e Bandeirantes transmitem ao vivo X jogos até o fim do ano.

Proposta 2 – Uma equipe de Stock Car. Inteira. O carro pintado inteiro com as cores da empresa. Ficarão bonitos os carros cor de rosa. Globo transmite as 12 corridas ao vivo.

Então. No patrocínio do Flamengo, tenho certeza que a minha marca vai aparecer. Ganhando, perdendo ou empatando. Sendo campeão ou rebaixado. Na Stock Car, se minha equipe não andar na frente, dificilmente vai aparecer na Globo.

Acredito que o mais inteligente seria patrocinar o Flamengo.

Agora eu pergunto:

- É uma comparação justa?

- A camisa do Flamengo está barata ou a Stock está cara?

- Os dois valores estão corretos. Sorte do futebol que aparece mais

- Futebol você gasta menos e aparece mais e automobilismo você gasta mais e aparece menos

- Está totalmente errado fazer esta comparação. Perdeu seu tempo escrevendo.

Juro que não sei a resposta. Sei onde colocaria meus 3 milhões.

Alguém de marketing poderia me dizer se esta comparação é certo fazer?

Foto Duda Bairros

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Comentários

  1. Liziane Berrocal disse:

    Sim, sua comparação não foge da realidade das pessoas que analisam uma proposta de marketing.

    O patrocinador precisa de retorno (estou falando de coisas sérias, patrocinadores sérios, não apenas wash).

    Fora ligar o nome ao produto. Um produto mais “popular” certamente é melhor aparecer no Flamengo, que tem um público mais “popular”. (Pelo AMOR DE DEUS, não julguem isso mal).

    O público de automobilismo é um público mais restrito, e a divulgação “global” é um item a parte a ser estudado por qualquer departamento de marketing.

    Um bom exemplo disse, é que atualmente até as duplas sertanejas estão investindo nas transmissões de futebol. Afinal, nos times não há só “Cacá Bueno” (pelo amor de Deus, é só uma análise profissional).

    No entanto, há de se considerar o tipo de produto que se quer vender e o tipo de “patrocínio” que está sendo feito, se é que me entendem.

    E isso é fato notório.

    E Parabéns Nei, tanto pelo aniversário quanto pela postagem.

  2. Ricardo Fávaro disse:

    A comparação é justa sim Nei. E necessária também. Mas ela tem muitas variáveis, e o cara do marketing tem que saber equacioná-las. Uma delas têm a ver com o target (público-alvo) que se atinge em um esporte e outro. O automobilismo em geral atinge um público de classe mais alta, é preciso analisar a marca / produto que se quer divulgar. Veja o exemplo da Red Bull, que é um prodututo mais “elitizado” e que investe em esportes radicais e automobilismo, por exemplo. Também tem a coisa do “intangível” como os marketeiros falam. É a associação da marca a “valores” como o glamour das corridas, à velocidade, etc., além da questão “relacionamento”. Enfim, a conta de retorno de mídia sobre investimento é a base, mas a equação é bem maior. Se fecha essa conta no automobilismo? Algumas sim. Ah, sou de marketing, hehe.

  3. Existe o marketing e o marketing esportivo, são diferentes e ambos seguidos de perto pelo marketing promocional e institucional, que são movidos a merchandising.
    Simplesmente não há comparação entre os dois ‘cases’. O Porcão busca apenas reforço institucional, ninguém vai sair correndo para o restaurante porque viu a marca num Stock Car ou na camisa do time. Nesse caso, seria um pouco melhor a camisa por causa dos números absolutos de ibope. A Stock está dando 6/7 pontos e um jogo do Flamengo na casa dos 20, dependendo do dia e concorrência. O Porcão está em plena expansão através de franquias, com a camisa você atinge diretamente todos os torcedores do time e os contrários, quase que na mesma proporção. Por exemplo, vai ser inaugurado um Porcão em Joinville daqui a algumas semanas, no Garten Shopping. A legião de flamenguistas em SC é gigantesca. No caso da Stock, nem 1/10 deles seriam atingidos, sendo bem otimista.
    Não é um caso para se basear no custo por mil apenas, há muitas variantes a serem analisadas. Se o objetivo é aparição, camisa do Flamengo na cabeça, até porque qualquer jogador do Flamengo que estiver com a bola gerará retorno, já na Stock não é qualquer carro enquadrado que o fará. Por sinal, nas transmissões da Stock eles só estão focando nos líderes, quem anda do meio para trás, só se rodar ou bater para aparecer, além da idiossincrasia da emissora em esconder marcas. No entanto, se investir na Stock e fizer um trabalho forte – e caro – de ativação deste patrocínio, poderá ganhar em qualidade de retorno, fugindo também das fofocas, escândalos e paixões futebolísticas. O Adriano justificando os quilinhos a mais numa entrevista seria rapidamente lincado à imagem do restaurante, que sairia chamuscada e viraria piada. Não é uma decisão fácil. Acho que eu compraria algumas páginas em revistas de grande circulação e faria um patrocínio pequeno num carro, gastando nessa campanha de mídia e ativação. Mas nada disso vai acontecer, afinal, o Flamengo acaba de recusar a oferta do Porcão, conselheiros acham que mancharia o manto sagrado do clube. Alguém aí na Stock se habilita? Parabéns por levantar esse assunto Nei, parece que depois de casado começou a entrar nos eixos. Rsrsrsrs.

  4. Eduardo disse:

    Acho que depende do publico alvo …. vamos dizer que se vc vende equipamentos de futebol, churrasco ou cerveja, vc deveria anunciar no futebol .. agora se vc vende tunagens para carro, mecânica e peças automotivas …. acho mais jogo investir no automobilismo.

  5. Eu não colocaria 3 milhas pro Flamengo dar 2 pro Ronaldinho não. É o q já falaram aí em cima. Precisa ver o perfil do público e da sua empresa. A BMG faz muito certo, pois atinge praticamente 100% do público alvo dela no futebol. Mas uma Swarovsky da vida não tem razão de investir no futebol, por exemplo. O Habib’s manda muito bem patrocinando (ainda patrocina?) o Vasco. Mas uma Pizza Hut se daria mal fazendo o mesmo.

    Agora, vamos pensar em outra hipótese. Nos EUA, o q é melhor? Patrocinar a NASCAR ou o Soccer? :)

  6. highdownforce disse:

    Nei,

    Algo que precisa ser considerado é que a camisa do Flamengo vai estar estampada na capa de vários jornais toda segunda e quinta feira, apesar de estar virtualmente invisível na transmissão. Quando foi a última vez que vimos um carro da stockcar na capa de um jornal? Pode ser um períodico esportivo qualquer.

    Além disso, a camisa do rubronegro com o logo da churrascaria será discutida em todas as redes sociais, vai ser(já é) notícia em sites especializados além dos cadernos de esportes de jornais de grande circulação.

    Se a Bassani Racing conseguisse um patrocínio master da Coca-cola acho que poderíamso contar nos dedos das mãos os veículso que vinculariam tal noticia. Imagine uma marca menos conhecida…

    E se não me engano, neste caso específico, o Porcão já investiu no futebol antes, estampado sua logo na faixa do Renato Gaúcho.

  7. Liziane Berrocal disse:

    Próxima palestra, usar essa postagem de case! hahahaha Pq os colegas estão mandando muito bem na discussão.

    Habib’x X Pizza Hult foi ótima comparação!
    Capa de jornal/redes sociais idem!

    E fica a pergunta: O Nei investiria onde?

    1. Nei Tessari disse:

      Depende do que fosse meu negocio, é claro. Se pensar so em exposição, futebol é claro. Se pensar em relacionamento, talvez Stock Car. Porque com a mesma grana posso fazer outras ações de relacionamento.
      Mas é dificil. Na Stock vejo os prós e contras. No futebol só os prós.
      beijosss

  8. José Donatelli disse:

    Que bom, existem veículos especializados e que os profissionais de marketing estejam antenados! Os comentários foram interessantes e, como ainda não havia feito antes, me animei em responder também!

    Há tempos já havia desistido de participar destas discussões, que frequentemente rondam os boxes e especialmente a sala de imprensa. Não vejo nenhum sentido em criticar sob este angulo um evento que, em 10 anos, cresceu muito mais que nossa economia e outros esportes. Seja na movimentação de verbas, seja no espaço ocupado em mídia, empregos e qualquer outro critério, incluindo os custos.

    As discussões sobre “retono” rondam ainda mais as assessorias, que tem seus serviços mensurados através de uma clipagem “quantitativa”, que já não é a mais adequada faz tempo! Sob este enfoque, ainda melhor que a camisa do Flamengo, é o paletó do Carlinhos Cachoeira…

    O ciclo é muito compreensivo: “alguém” precifica o trabalho de assessoria sob este critério, que precifica o próprio retorno através de um relatório (por quilo, geralmente!), para ser deixado num armário de um departamento de marketing, cujo traseiro do responsável esta sempre na janela. Aí… todos olham para um númerão ou numerinho e falam: olhem a solução ou olhem o problemão!

    Até quando isso? Até pararem de “vender mídia” e resolverem “vender os seus produtos”.Quem tem que vender este espaço é a Globo a Folha e o Bobo da Corte, não os pilotos e equipes! O papel destes últimos é “gerar conteúdo” e, convenhamos, se um pimpolho de pai rico espirrou antes da largada, isso não é lá de grande interesse socio-cultu-espirito-medicinal!

    Essa discussão é improcedente. Quem acha isso? Não sou eu ou, só eu… Os departamentos de comunicação dos grandes patrocinadores da categoria. Falavam em “irrealidade” quando era o Xandy que pilotava para a Medley. Pois é, ele não corre mais, mas a Medley está lá. Tem a Mobil, que está com o Nonô há mais de 10 anos. Tem a Shell, que veio para o negócio agora, a Ipiranga, que está há tempos, a Eurofarma, Samsumg, a Pioneer e a Red Bull. Será que existem profissionais de marketing nestas empresas?! Será que eles já ouviram falar que existe manga na camisa do Mengão? Será que eles tem acesso aos números de “retorno”? Ou será que a Stock consegue enganar tanta gente?! E a Globo? Será que é mesmo verdade que até “cuspe a distância” dá 10 pontos no Esporte Espetacular?!

    Não tenho procuração de ninguém para defender a categoria, mas as “estatísticas” estão aí para serem vistas com profissionalismo e lucidez. A imparcialidade deveria ser um valor muito preservado pelos jornalistas, principalmente os “especializados”, que vivem disso. Compare o crescimento da Stock com QUALQUER OUTRA categoria conhecida. TC…; DTM; BTCC; F1; Indy… NENHUMINHA destas cresceu tanto quanto a Stock. Claro que estou me referindo aos dados evolutivos e não numeros absolutos. Só por curiosidade, vai lá na NASCAR e estude alguma coisa sobre “GRP” ou audiência e COMPARE AQUELES CUSTOS com AQUELA VISIBILIDADE. Isso é tão verdade quanto as dúzias de criticas, procedentes, é claro, que possam ser feitas ao evento.

    Outra verdade que também faz parte da nossa realidade, é que a mentalidade sob o “retorno” terá que mudar. Isto é, se quisermos continuar crescendo… Pilotos, equipes e promotores terão que buscar uma sintonia fina do seu produto. Publicidade não é marketing, nem marketing só visibilidade.

    Fazer “Marketing Esportivo”, não é só conseguir mais espaço em mídia, é influenciar DECISIVAMENTE no ESCOLHA DE CONSUMO de um DETERMINADO PRODUTO EM UM DETERMINADO MERCADO. Para isso, é preciso informá-lo com qualidade e fidelizá-lo, criando um canal de comunicação capaz de transmitir a MENSAGEM desejada pelo patrocinador – lembrando que, ninguém melhor que a própria empresa patrocinadora conhece seu produto e mercado.

    Respondendo a sua pergunta, só quem tem acesso aos dados evolutivos de crescimento das vendas, participação no mercado (“share”) e percepção de marca (“brand awerness”) é que pode fazer esta comparação. O resto, é só “achologia” mesmo. E é uma pena que esta ciência esteja sempre contraria ao automobilismo!

    Grande abraço! Parabéns pelo Site e pelo aniversário!

    Donatelli

  9. Livia disse:

    Muito legal a discussão. Acho que a comparação é válida sim, mas sempre tem que se levar em consideração o público alvo. É uma equação complicada e que leva o automobilismo e os outros esportes ladeira abaixo.

    Nos Estados Unidos é muito diferente, pra quem ali em cima falou de Nascar. Lá a exposição do automobilismo é muito maior e tem um grande diferencial: as tvs não escondem os nomes dos patrocinadores e não tiram o microfone da boca dos pilotos quando eles vão agradecer numa entrevista. É comum você ver o piloto dando entrevista e dizendo “a equipe [patrocinador] me deu um carro muito competitivo, esse resultado é deles também” – e isso vai pra todo o país. Por isso a Nascar lá não foi tão atingida na crise americana, eles são um público fiel. As empresas brasileiras que tem negócios lá teriam grande retorno ao patrocinar os brasileiros.

  10. Nei,
    primeiramente parabéns pelo niver, muita saude e muitas felicidades .
    Como sou assiduo frequentador desse blog , vou tbém dar meus pitacos,até pq a equipe de truck, sempre fuieu o “marketeiro” .
    Penso q são coisas distintas , mas no fundo é muito interessante essa questão q vc levantou ,e péssima parao Automobilismo, que hj é estremamente caro , pq falamos em 3 milhões uma equipe inteira .com 2 carros e tudo mais, mas se formos considerar as grandes equipes, com esse valor nãodaria pra fazer praticamente nada, não compraria 100% de espaço do carro , para pagar os 2 pilotos, acrescentaria 50% desse valor e ainda para fazer uma ação de relacionamento com clientes gastaria mais 100%desse valor durante o ano, quer dizer , por menos de 7 milhões vc nõ faz um negocio de primeira . O consolo isso, é que em uma equipe grande , com certeza vc vaiter o retorno necessario e vai aparecer nas transmissões q é o q está sendo discutido aqui, uma realidade é q as 3 ou 4 equipes grandes, invariavelmete são as que nunca se perdem no acerto e até pelo q ganham ,seus pilotos são verdadeiramente pilotos, que não tem outraatividade na vida, sua profissão é essa.
    Então , como vc fala, a camisa do Flamengo está barata ou o automobilismo está caro?
    Eu acho q as 2 alternativas estão certas , e como integrante e diretor de uma equipe e que vivo 100% domeu dia a dia no Automobilismo , acho q está na hora de os donos de equipes terem uma força maior, talvez essa não seja a palavra certa, pq não se tem força alguma , mas é a hora de pensar em se unir ,não brigando, mas levantando uma bandeira junto aos organizadores , junto as federações e a confederação (CBA) entidade essa q metemos o pau, mas nuca tiramos o rabo da cadeira para propor alguma coisa em beneficio do esporte, sem saber se eles estarão lá p/ nos ouvir .
    chegar a conclusão q uma manga de camisa é melhor q um investimento onde ganhamos o pãp, é verdadeiro e doloroso .
    meu emais está aí. e to aberto a idéias , afinal hj tem não são só os donos de equipes os interessados a se preocupar com o Automobilismo !

  11. Emílio Campos disse:

    Aproveitando essa discussão, acho propício expor uma realidade acerca não só da mídia automobilística brasileira mas de toda a mídia esportiva mundial.

    O Brasil é um dos muito raros países que possuem uma mídia tão concentrada e com tanta audiência. Enquanto nos EUA e na Europa é comum 60, 70, ou até mais de 80% da população possuírem TV paga, aqui estes nem chegam à 7%. Quase todas as categorias que conhecemos mundo à fora tiveram as suas corridas, por razões específicas de seus mercados televisivos, transmitidas sempre ou quase sempre por canais pagos, e com uma quantidade de telespectadores extremamente mais modesta das que são habituais aqui.

    Isto quer dizer que lá na Finlândia um garoto que precise de 8 mil euros só para conseguir alugar um F-Ford para correr terá que disputar o seu patrocínio contra os apenas 500 euros que valem um comercial de 30′ durante o intervalo da transmissão. O mesmo acontece nas grandes categorias. A audiência média das corridas da Fórmula Indy que são transmitidas na TV paga nos EUA (que são 10 das 15 etapas) rendem apenas 650 mil telespectadores, o que torna possível bancar um comercial nos intervalos da prova por ao redor de 6 mil dólares. Só pra lembrar: uma corrida na Indy custa (por carro) aproximadamente 400 mil dólares.

    Portanto, a grande lição que tiramos dessa análise é que se todas as empresas se limitarem a pensar apenas aonde será “mais interessante” investir a sua verba publicitária, não só o automobilismo mas sim TODO O ESPORTE simplesmente deixaria de existir, afinal não há como patrocinar um evento se não houverem ali atletas para competir.

    A verdade nua e crua é (eu sei que muita gente vai odiar ler a minha opinião, mas paciência…) que em todo o esporte brasileiro, e não apenas no automobilismo, TODOS os envolvidos tem alguma parcela de culpa no “insucesso” em que nos encontramos hoje: dirigentes, organizadores, equipes, pilotos, empresas/agências de publicidade e imprensa, pois a vasta maioria tem falhado, não apenas quanto ao profissionalismo na gestão dos patrocínios e na obtenção de resultados mas, principalmente, no respeito e dedicação em sempre atender às expectativas de um público fiel, exigente e emocionalmente envolvido com a atração e que em muitas vezes seguem aquilo por gerações, como se fosse algo parte integrante da sua cultura pessoal, da sua identidade, e isto sem falar que um público “bem tratado” expande-se e se rejuvenesce, o que é importantíssimo. É exatamente deste público que todos os demais dependem para garantirem suas vendas e manterem a “lona do circo” de pé.

  12. Joaquim Marques Lisboa disse:

    E diz a lenda que tem equipe esse ano que fechou 2 carros com nem 1 milhão direito pra temporada… Triste a situação do automobilismo brasileiro.

  13. Nei, vou fazer uma continha básica e mostrar que o automobilismo tá MUITO caro:

    Jogo do Flamengo tem pelo menos 1 vez por semana.
    Divida 3 milhões por 12 e temos o valor mensal: R$ 250 mil
    Cada jogo tem 90 minutos. 250 mil dividido por 90 minutos = 2777 reais por minuto.
    Como tem jogo toda semana, pode dividir esse valor por 4 para termos o índice mensal. Então R$ 2777 /4= R$ 694 por minuto a cada mês.

    A stock tem 12 corridas no ano.
    Então temos os mesmos 250 mil reais por etapa.
    E por mais que existam chamadas no Globo Esporte, comerciais, etc, o que vale é a corrida, de 40 minutos.
    250 mil dividido por 40 minutos é 6250. ATENÇÃO, 6250 REAIS POR MINUTO, sendo que NUNCA o carro de uma equipe vai ficar 40 minutos na transmissão.

    Compare: Flamengo: 694 reais por minuto – Stock: 6250 reais por minuto.
    Quase 10 vezes mais caro e um retorno muito menor que no futebol.

    A minha conclusão é que o automobilismo precisa se reinventar, criar soluções para baratear equipamento e popularizar o esporte. O que mata o automobilismo é que cada vez mais querem elitizar o esporte, como se fosse algo exclusivo de quem tem dinheiro. Ao contrário dos anos 70 e 80, quando o automobilismo tinha um apelo popular, hoje é reduto para meia dúzia de endinheirados que mal sabem que lado fica o acelerador.

    1. José Donatelli disse:

      Além de insistir no raciocínio de que, pilotos e equipes tem que vender o SEU produto e não o da GLOBO, para uma discussão evoluir de maneira produtiva, é necessário partirmos de dados REAIS.

      Como dados reais, há de se comentar duas coisas sobre esta comparação:

      1- o valor dos patrocínios dos times não são para “uma temporada” e sim para UM dos campeonatos.

      2- Exceção feita à grandes patrocínios, a consistência destes contratos “de oportunidade”, quem diria, não é comparável às das equipes da Stock, que tem se mostrado extremamente fieis aos seus clientes.

      3- NÃO EXISTE MILAGRE. O futebol tem seus direitos de transmissão VENDIDOS para as TVs e os times RECEBEM sua participação. Quer dizer, estes valores das camisas só podem ser praticados, porque existem outras receitas, da própria TV e das bilheterias…

      Caro e barato são conceitos determinados PELO MERCADO. O menor grid da Stock em muitos anos, foi agora em Rib Preto: 29 carros. Só é menor que a Nascar e a TC (e não a 2000).

      1. José Donatelli disse:

        comentei três… e não duas! rs!

  14. Marcos Ferreira disse:

    E por falar em patrocínio, vocês repararam que a Globo começou a falar Red Bull nas corridas? Não me lembro se foi na Stock ou na F1, mas que ouvi eles falando, isso eu ouvi. Acredito mais que a Red Bull está pagando do que resolveram mudar sua ideologia de não falar nome de equipe e fazer propaganda gratuíta.

  15. Leonardo Gomes disse:

    Sabe Nei, excelente discussão essa e de altíssimo nível, gostaria de dar minha opinião de torcedor que vai direto aos autódromos e kartódromos.
    Em quesito marketing de relacionamento, tanto a Stock quanto a Truck matam a pau, são excelentes, mas poderiam dar mais retorno se nãofizesem algumas ações anti-marketing e tivessem uma coisa que não tem na maioria das categorias do Automobilismo Brasileiro, se não for em todas:A figura do ídolo.
    Alguns exemplos de ídolo:Valentino Rossi na moto GP, Helio Castroneves na Indy entre outros, na Nascar então…eles fazem com que os pilotos virem praticamente super heróis com suas ações de marketing.
    Aqui no Brasil, no automobilismo interno não temos essa figura, ai junta algumas ações anti marketing como o “Todos contra Cacá” Que foi péssimo para a imagem da categoria, fora não falar o nome dos patrocinadores, fica muito mal,acaba criando uma antipatia.
    Falta aqui aquele cara que além de ser um excelente piloto, é carismático, tipo um show man, um cara que mova a simpatia de muitos, ai acabaria trazendo pessoas as categorias.
    O que acham? Falei besteira?
    Um abraço e ótima discussão

  16. Gustavo de Bem Pfuhl disse:

    Primeiramente, o Bruno, mesmo admirando o seu trabalho, que me desculpe, mas eu acho que ele foi infeliz na sua comparação, por uma série de fatores.

    Alguns pontos a se pensar:

    A Petrobrás é oque? Fabricante de chuteira? Não, ok.
    A melhor forma de fidelizar a imagem do seu produto (qualidade, confiabilidade, desempenho, etc.) a um time de futebol que volta e meia tem problemas com os próprios jogadores, ou a um carro vencedor, sinônimo de alto desempenho e bem pintado nas cores da empresa onde apenas a sua presença se destaca dentre os demais?

    Sinceramente, mesmo com a questão do televisionamento e questões de marketing, não consigo entender o motivo da Petrobras despejar dinheiro naquele time por décadas(nada contra os flamenguistas, que fique bem claro!). O mesmo time que já foi alvo de escandalos de desvio de verbas e etc. Vão continuar a investir nisto, ok. Beleza!

    3 Milhões para uma empresa que fatura centenas de milhões é troco, ou eu to muito errado?
    Porque simplesmente abandonaram o automobilismo nacional? Qual é a treta?
    O que que move a Petrobras, são carros ou chuteiras e bolas de futebol? Que vinculo é esse?

    1. Gustavo, eu não disse que acho mais coerente investir em futebol. Acredito até que algumas empresas conseguem ter o retorno do investimento com ações de relacionamento usando o automobilismo. Mas o problema é esse: só algumas. E ainda vc tem que fazer muita coisa além de somente expor a marca no carro.
      Também acho que 3 milhões para a Petrobrás é “troco de pinga”, mas ninguém queima dinheiro. Enquanto não desvincular essa imagem de esporte de rico, o automobilismo será refém de patrocínios esporádicos ou de donos de grandes empresas que gostam do automobilismo. É muito pouco.

  17. Ricardo Fávaro disse:

    Essa é a melhor discussão da história do blog do Nei. Congrats!

  18. Liziane Berrocal disse:

    Discussão e debate PERFEITOS! Super distribuído, inclusive com meus colegas de trabalho e para os membros da minha equipe de comunicação.

    “As discussões sobre “retono” rondam ainda mais as assessorias, que tem seus serviços mensurados através de uma clipagem “quantitativa”, que já não é a mais adequada faz tempo! Sob este enfoque, ainda melhor que a camisa do Flamengo, é o paletó do Carlinhos Cachoeira…”

    Vou usar esse argumento, que considero muito pertinente (risos).

    Moro em um Estado “ruralista” ao extremo. Então, quando a Stock (ou outras categorias) vem para cá a mídia é constante, capa de jornal local, TV (não só afiliadas da Globo, mas TODAS), sites e etc.

    Até hoje, eu não entendi porque cargas d’água nem as assessorias, nem as equipes/patrocinadores não fizeram ações para o “grande público”. (sorry, não é puxando saco, mas só Eurofarma (Patrícia Casagrande) e o Nei fizeram isso)

    O público da Stock aqui é praticamente “patrocinado” e eu como “nativa” e profissional de comunicação enxergo MIL ações que poderiam ser feitas ou desenvolvidas, que até pensei em propor por e-mail para o povo que vem “pra fazenda”.

    Seria relativamente barato e acreditem, dá retorno.

    Mas não perco as esperanças. E confesso, muitas das opiniões postadas aqui, eu vou guardar para meus estudos. E olha que trabalho com Marketing Político (risos).

  19. Betto D'Elboux disse:

    Opa! Acho que faltava ainda nessa discussão um pitaco da “mídia”. Pois cá estou. Não vou falar como RACING, pois a Motorpress é uma multinacional europeia e eu sou apenas um colaborador eventual da revista, um simples prestador de serviço.

    Mas vou falar por Cockpit (http://www.revistacockpit.com.br), a minha revista e, aí sim, com conhecimento de causa.
    Antes de falar do destino do dinheiro, quero comparar futebol x automobilismo apenas como esportes. Qual é a audiência e o interesse que as pessoas têm por esses esportes? Quantos atletas de cada um deles são conhecidos pela maioria da população? Qual o tamanho de espaço em páginas de site, de programação de rádio e TV, de páginas de jornais e revistas que ambos ocupam? Afinal, o Brasil é “O País do Futebol” ou “O País do Automobilismo”? Quantos títulos mundiais principais nós temos em cada um? E, finalmente, em um país com quase 193 milhões de habitantes, quantas revistas existem de futebol e de automobilismo?

    Ou seja, Nei, a resposta para a sua dúvida passa também por esses questionamentos. Questionamentos como esses povoam a cabeça das pessoas de marketing e, principalmente, as pessoas que assinam os cheques das verbas que vão para patrocínio e, dali, consequentemente, para os carros, salários dos jogadores, anúncios de revistas, transmissões pela TV – falando nisso, aí está um caminho para entender qual esporte atrai mais a verba de patrocinadores do que outro: a Globo PAGA para os clubes de futebol pelas transmissões dos jogos, enquanto a Stock Car tem de pagar para a Globo transmitir suas corridas. Percebe?

    Agora, falando da verba…

    Já há algum tempo que patrocínio de automobilismo não é mais troca de dinheiro por “um adesivo da sua marca no meu carro”. Mudou E MUITO. Patrocinar automobilismo significa investir em um pacote de soluções de relacionamento de marketing e endomaketing violento, que inclui planos de benefícios, metas de vendas, premiações, além, claro, da associação/vinculação da marca com conceitos interessantes para ambientes corporativos, como “vitória”, “competitividade”, “disputa”, “tecnologia”, “inovação”, “equipe”, “parceria”, entre outros; e, de quebra, (oh, meu Deus, como não pensei nisso) na divulgação da marca junto ao público presente e na mídia que cobre o evento. Como se vê, o que as empresas (o cara que assina o cheque!) pensa que é o “motivo principal” para investir em automobilismo é, na verdade, um bônus! É importante dizer que parte da verba de patrocínio vai para a equipe, os carros, os mecas, o salário dos pilotos etc. Como bem falou alguém aí em cima, R$ 3 milhões é pouco. Para fazer bem feito, teria de ser pelo menos R$ 7 milhões.

    Essa agora é para pensar…

    Agora, considerando a verba anunciada, de R$ 3 milhões. Com 10% dela eu faria um bom barulho, conseguiria ótimo retorno de mídia e divulgaria bastante uma equipe de Mini Challenge. Arrisco a dizer neste projeto que eu conseguiria mais espaço e divulgação do que o de alguns pilotos de “meio do pelotão para trás” da Stock.

    Concluindo

    O mais importante hoje é, independentemente se a verba é destinada ao futebol ou ao automobilismo, conseguir um bom uso pra ela. Investimentos de grandes empresas no esporte não podem cair na mão de pessoas aproveitadoras e corruptas. O dinheiro que chega – e não é fácil trazê-lo – não pode ser uma enganação para a empresa que está pagando.

    Vou dar um exemplo típico de mercado editorial: hoje, não dá mais para você vender “uma página”! Vender uma página de anúncio em uma revista mensal, hoje, equivale a colar um adesivo em um carro de corrida nos anos 70.
    O que deve ser criado/desenvolvido/amarrado é mesmo um projeto de parceria que envolve uma série de ações, anúncios programados em série, ações de corpo a corpo com leitores, promoções e sorteios com brindes polpudos, premiações por fidelidade, um mailing VIP bem azeitadinho, incluir eventos em autódromos e feiras automotivas nacionais e internacionais, enfim, uma série de vantagens, parcerias e trocas, de forma que toda empresa que for investir em automobilismo, veja uma grande vantagem nisso, em relação ao futebol. Este, afinal, já tem TUDO o que se pode esperar dele…

    Falei demais? Dá para aproveitar alguma coisinha? Hahahahaha

  20. Palazzo disse:

    Bela discussão!!

    No automobilismo, falo como piloto e como especialista no MKT esportivo que sou.

    O automobilismo precisa mesmo se reinventar, pilotos e donos de equipes. Para começar piloto de carro no Brasil não se vê como atleta e dono de equipe não se vê como empresário, só pra dar o começo na história. Não adianta vir me falar que “ahhhh fulano fatura sei lá qtos milhões com a equipe e vc fala que ele não é empresário??”

    NÃO amigo, não é empresário e nem o piloto é um atleta pq malha pra ter condicionamento físico. O piloto brasileiro precisa se declarar como atleta e construir sua imagem de forma que possa gerar renda e mídia aos seus patrocinadores (aqui começa a ganhar do futebol qdo acontecer). E os donos de equipes precisam se ver com uma máquina de fazer mídia nas mãos tal qual Roberto Marinho teve a Globo.

    Vc dono de equipe tem seus carros como veículo de mídia. Donos de equpes precisam parar de ficarem acomodados esperando pilotos ricos ou com famílias ricas que tem fonte inesgotável de dinheiro e que sabe-se lá de onde arrumam grana pra correr, mesmo que fiquem em último. Donos de equipes precisam criar seus departamentos de mkt e que esses fiquem responsáveis por captação de patrocínios além dos patrocínios que pilotos possam trazer.

    “opa, agora a conta aumentou, vem dinheiro de dois lados” atentem-se donos de equipes. Se vem grana de dois lados vc pode fazer coisas que os outros não fazem. Vc pode por exemplo baixar orçamentos para pilotos facilitando e muito a vida deles. Vc pode investir mais em mídia própria (coisa que ninguém faz), vc pode comprar mídia a seu favor, pq não uma equipe comprar matérias em grandes revistas brasileiras com intuito de aumentar sua popularidade??

    Pq não uma equipe não investe em produtos licenciados com sua marca?? Pq não?? Simples amigo, pq seus donos não pensam pra frente dessa maneira. São acostumados e acomodados com o dinheirinho dos pilotos todo ano. Mas as vezes a conta não fecha. Vide Bassani que se não fosse Roberto Carlos ia ficar fora da temporada.

    Agora pilotos. Sim vcs pilotos, tornem-se atletas. Sabe pq o automobilismo não fabrica um Neymar?? “Ah meu Deus vc só pode estar louco falando que isso é possível”…

    Não, não estou louco não. Isso é completamente possível e só não acontece pq não temos nenhum piloto no Brasil, nenhum mesmo, nem Cacá Bueno que tenha um exército de mídia trabalhando em função disso. O que faz Neymar é mídia gente. Só que a grande vantagem do futebol sobre o automobilismo é que o futebol tem mto mais mídia expontânea. Massssss, quem disse que não se pode comprar mídia?? sim, comprar meu caro, aquilo que vc não tem, vc compra se der conta certo?? certíssimo!!! e é isso que pilotos não fazem eles simplesmente se fecham dentro de boxes como se fossem seres de outro planeta que descem na terra para fazerem favores de proporcionar um espetáculo a quem assiste e depois vão embora. Não podem nem mesmo conversar com vc pq eles são de um plano elevado e vc é um simples mortal.

    Aí está uma grande diferença entre o mundo do futebol e do automobilismo. O automobilismo foi rotulado ao fracasso exatamente no dia em que o primeiro piloto conseguiu chegar em um dono de equipe e lhe disse “eu te pago tanto para guiar seu carro” nesse dia, as carreiras de dezenas de milhares de jovens talentosos ao redor do mundo e seus pais apaixonados que gastam grana nisso, ficaram a mercê sabe-se lá do que para que um dia venham a dar certo no esporte.

    Se posso falar algo que ninguém nunca pensou ou falou é isso, pilotos tornem-se atletas e donos de equipes tornem-se empresários. Obrigado.

    1. Liziane Berrocal disse:

      FODÁSTICO! Sem mais meritíssimo!

  21. Nei, primeiro parabéns pelo aniversário.
    Como muitos aqui sou leitor diário do seu blog.
    Além de ser um apaixonado por automobilismo, sou antes de tudo um louco por esporte, principalmente pelo efeito que ele proporciona nas pessoas, é a única coisa que pode fazer uma nação chorar ou festejar em questão de instantes…
    Esta comparação sobre futebol e automobilismo no país do futebol é muito complexa. O automobilismo é o terceiro esporte mais assistido no Brasil, o 1º, obviamente é o futebol e bem depois, mas bem depois o vôlei. Isso já mostra o quão distintos são os dois em termos de retorno de mídia.
    A grande falha hoje nas empresas e no mercado é pensar o esporte como mídia e todas as modalidades de forma igualitária. Sabemos bem que a coisa não é bem assim. Se as empresas possuem agências de publicidade para criarem suas estratégias de comunicação com o seu público alvo o mesmo deve ser feito com o esporte.
    Querer comparar um esporte com o outro é um grande erro em minha opinião, temos que lembrar que estamos falando com determinado público e cada uma tem um tipo de habito, costume e cultur. Obviamente alguns públicos esportivos interagem com outros.
    Tendo em mente que esporte não apenas é mídia e que cada esporte possui seu público, a primeira coisa é definir os objetivos da empresa, depois definir o que ela pretende através do esporte, pois não necessariamente todos os objetivos vão ser atingidos apenas com o esporte (ele é uma ótima plataforma de comunicação, mas não é a única), após isso buscar a melhor modalidade para atingir os objetivos no esporte.
    Uma Magazine Luiza que patrocinou o Corinthians no último jogo da Libertadores busca falar com a grande massa, para isso nada melhor que futebol, agora uma BMC que trabalha B2B não existe o por que fazer um patrocínio no futebol, pois para ela é muito mais interessante as ações de relacionamento e a aproximação da marca com os seus clientes para futuramente desenvolverem novos negócios.
    É obvio que estou simplificando um pouco a comparação por utilizar marcas tão distintas em seus negócios. Muitas marcas vão falar com diversas públicos ao mesmo tempo, como uma Gillette ou Chevrolet e é aí que é necessário o verdadeiro planejamento estratégico no esporte.
    Por estas grandes diferenças entre as modalidades esportivas é importante ter um profissional que conheça a fundo o esporte e suas particularidades e que tenha capacidade de elaborar ações de ativações que vão ser o grande diferencial para que o patrocínio atinja os seus objetivos (ou não). Esta é uma falha muito recorrente ainda no investimento esportivo, mas para mim o maio erro está na não ativação do patrocínio, mas este já é outro assunto.
    Abs.

  22. Mas o que vcs querem afinal? Automobilismo como esporte ou como ferramenta de marketing?

    Eu quero como esporte, e como esporte está inviável.

  23. Djalma Fogaca disse:

    Eu de novo, agora pra comentar o que foifalado pelo leitor ” PALAZZO”.

    Achei muito pertinente tudo que vc colocou, mas discordo de algumas coisas. Por ex. Penso q tem muitos pilotos na Stock e na Truck, que poderiam ser atletas do marketing, mas é muito dificil. Hj a propria midia do automobilismo, nao dá chances a categorias nacionais. Se vc abrir os principais sites de automobilismo na Argentina, vai perceber que os caras falam 80% sobre automobilismo nacional e reverenciam seus pilotos. As revistas sao varias e semanais, todas falando de pilotos e equipes. Aqui nao. Os principais sites e a maioria deles, é 95%, isso mesmo 95%, de automobilismo internacional (F1 , F indy , Nascar, Moto GP). Então como esses caras vao conseguir fazer fama?
    É praticamente impossivel. Agora a minha pergunta: o q ganham esses sites com isso? Mais leitores, mais seguidores? Pode ser, mas pode não ser tbem. Só q nunca fizeram o contrario pra saber. Será q nao teria uma receita maior, atraves de patrocinadores das equipes, do evento, ou mesmo uma facilidade maior na hora de buscar um patrocinio exclusivo para o site? Nao sei, mas com certeza, formariam e fortaleceriam nomes de pilotos.

    Vou dar um ex. q me chamou muito a atencao. Em 2010, o meu filho Fabio correu o ano todo na Argentina, na Top Race. Em uma corrida em Buenos Aires voltavamos de taxi do Autodromo e em frente ao hotel, enquanto eu pagava o taxi, notei q tinha 1 pessoa falando como Fabio. Aí perguntei oq o cara queria, e ele falou q estava perguntando como o Fabio tinha ido no treino, se o carro estava bem e se achava q ia fazer uma boa classificacao. Agora, como isso vai acontecer aqui? Impossivel. As pessoas até ouvem o nome do piloto, mas afeicao do caboclo, ninguem sabe, ninguem viu.

    Entao essa é a realidade.

    Agora falando de Donos de equipes “empresarios”. Vc esta absolutamente certo e penso igual a vc. Por isso saio atras de captar parceiros, e qro q meus pilotos ganhem salarios, e nao paguem para correr. Penso q a equipe q tem piloto pagante tem serios problemas internos, pq quem paga sempre se acha na razao. Mas tbem temos q entender que é a lei da sobrevivencia. Se o cara nao arruma os parceiros, devido a N razoes, fala o q? “Vou dispensar os funcionarios, fechar as portas e procurar outro negocio pra viver? Nao dá. Esse dono de Equipe eu aposto q tbem tem um ideal de ter ele os patrocinadores na equipe e pilotos contratados, mas de que jeito?

    Uma coisa puxa a outra, se tivermos uma imprensa automobilistica exclusivamente voltada ao mercado nacional, acredito q poderiamos viver uma outra fase, tanto como equipe e como pilotos.

    Eu, ao menos, tenho tentado ter uma sede da equipe totalmente construida e equipada para fins automobilistico, ter um assessor de imprensa, um captador de patrocinios, carretas de apoio, carreta Stand para dar um suporte maior a patrocinadores e seus clientes, Motorhome, Site ( http://www.dfmotorsport.com.br), Boxes com otimo padrao, pilotos profissionais e recebendo salarios, uma marca (72 sports) com produtos da equipe (camisas, camisetas, bones, miniaturas) e o principal: um programa de jovens talentos onde tentamos dar oportunidades para q o jovem possa mostrar o seu valor até para outras equipes e realizarem o sonho de ser profissionais desse esporte. E isso sem nenhum custo nesses treinos.

    Enfim, estou tentando e minha meta é ser um exemplo, assim como algumas equipes q ja fazem trabalho parecido.

    1. Nei Tessari disse:

      Parabéns Djalma. Belo comentário. Concordo com você em relação a midia aqui. É dado mais valor realmente as categorias internacionais. Por isso, acredito, que este meu humilde espaçõ está crescendo tanto. Mesmo sem ganhar nada de nenhuma categoria, ou empresas ligadas as categorias, equipes, pilotos, faço uma cobertura legalzinha. Tenho a Stock Car como exemplo. Mesmo de “longe”, nao indo as pistas, tenho todas as informações de bastidores, informações técnicas, e sempre com agilidade.
      Do mesmo jeito que vocês equipes sonham em se profissionalizar, também sonho em profissionalizar este espaço. Ter um patrocinador, um anuncio. Isto para tornar ainda mais prazeroso ($$$) este trabalho!
      Você esta certinho Djalma. Parabéns!

  24. A resposta está no custo benefício do retorno ao negócio do cliente.

    Quem oferecer maior cobertura de público, dentro… Isso é muito importante, dentro do perfil de público, que a empresa espera atingir, deve receber o investimento.

    Não adianta investir R$3Milhões na camisa do Flamengo, se o público que a empresa espera impactar esteja longe dos estádios ou da cobertura de jogos. O mesmo se aplica ao investimento na Stock Car.

    Pode parecer a grosso modo ser muito melhor o investimento na camisa de um time que realmente tem uma torcida enorme no Brasil e no mundo, mas isso passa invariavelmente pelo perfil do público.

    Para isso se faz necessário este levantamento e outros dados que muitas vezes podem levar este investimento até para outro tipo de negócio. O importante é ressaltar que hoje em dia, mais do que nunca, para fazer qualquer investimento é necessário termos em mãos, uma análise completa do perfil do público com hábitos de consumo, para podermos tomar uma decisão que no futuro não nos traga prejuízos inesperados.

  25. Marco Aurélio disse:

    Assunto muito interessante, realmente complexo, algumas das perguntas do post creio que realmente não tem um resposta clara e correta. Muito do que se escreveu nos comentários está certo e quero dar dar minha opinião acerca do tema.

    Quando falam em marketing as pessoas confundem-se um pouco(nem mesmo eu sei se estou certo) mas entendo que um empresa quando tem dinheiro e quer alavancar seus resultados ela tem uma pessoa, um departamento de marketing, ou contrata uma empresa(agência) que é responsável por direcionar as suas ações afim de alcançar seus objetivos da melhor forma possível. Para tanto são criadas estratégias que podem alterar os princípios e rumos de uma empresa, mas geralmente o que se reconhece mais é a ligação do marketing com a “propaganda” e a comunicação com o cliente e seus resultados. Quanto ao comparativo do post em si, vale lembrar que no futebol o Flamengo até pouco tempo atrás também estava de férias forçadas por conta de suas eliminações nas competições que disputava, e faz tempo que não tem um patrocínio master em sua camisa, isso tendo em seu elenco uma badalada estrela como Ronaldinho Gaúcho.

    Logo você acha que associar o nome da empresa a um time em baixa seja eficiente, ou legal? Curiosamente, vemos em times de futebol, empresas ligadas ao setor automobilístico, como montadoras, fabricantes de lubrificantes, distribuidoras de combustível. Aí vale aquilo que falam sobre o objetivo da empresa, seu “público-alvo”, ou será que não poderiamos ver os logos de marcas esportivas como Nike e Adidas em carros da Stock? Tudo depende, espero ter colocado mais “lenha na fogueira” dessa discussão.

  26. Eduardo Bassani disse:

    Pelo que sei , algumas equipes grandes nao venderam seus sponsors Master. Na minha opinião está difícil vender os 2. Ainda mais no meio do ano !

  27. Lu Boesel disse:

    Nei,

    Primeiramente, parabéns pelo o seu blog e pelo seu trabalho. Você sabe que acompanho sempre com prazer suas opiniões que geram sempre uma boa discussão.

    Nesse caso, concordo com muitos dos comentários acima. Na minha opinião vale muito mais a pena a manga do flamengo do que uma equipe completa de stockcar, mesmo sabendo que comparar esportes diferentes tem as suas peculiaridades. Mas se tivesse apenas essas 2 opções botaria o investimento no Flamengo.

    No entanto, acho legal partirmos pra um lado onde possamos realmente efetivar uma mudança em prol do automobiismo nacional. Sempre vejo reclamações na internet, blogs, facebook e etc (Que são ótimos)…mas nunca vejo como REALMENTE efetivar essa tal mudança. O tempo passa, passa e quando vemos estamos debatendo sobre os mesmos assuntos.

    A Stockcar esta muito cara e o custoxbenefício comparado aos outros esportes deixa a desejar. Ponto. Mas e ai, o que fazer a partir dessa conclusão GERAL de todos? Qual seria um 1˚ passo?

    Ela esta muito cara porque? Porcausa da CBA e da Vicar? Monopólio da ZF? Equipes acomodadas esperando sempre um piloto com grana? Quanto que a CBA/Vicar/ZF ganham por etapa? E qual realmente é o custo?

    Depois de identificar os “GRANDE PORQUEs” esta muito caro, é sair da idéia e tomar ATITUDES. Mas qual seria o roteiro? Qual seria uma primeira mudança que tornasse o automobilismo nacional mais popular, barato, e com mais fãs?

  28. SERGIO SARGO disse:

    REALMENTE O PALAZZO E DJALMA , ESTÃO DE PARABÉNS, EU COMO PAI DE PILOTO SEI DAS MINHAS DIFICULDADES ,ACHO QUE AS EQUIPES DEVEM TER SEUS PATROCÍNIOS E PILOTOS DEVEM ESTAR LÁ POR PROFISSÃO , QUE ADIANTA FORMARMOS UMA CARREIRA NO KART , GASTAR FORTUNAS E CHEGAR NO AUTOMOBILISMO AINDA PAGANDO A CONTA!!! AUTOMOBILISMO NO BRASIL PRECISA SER MAIS VALORIZADO PELA MÍDIA , EMPRESAS , PATROCINADORES ENTRE DEMAIS ENVOLVIDOS NO ESPORTE!!

    PARABÉNS PELO TEMA NEY!!!

    ABRAÇOS

    SÉRGIO SARGO

  29. Sérgio Ricardo disse:

    Nei, acabei de ler agora este debate foi parar no blog do Erik Beting na pagina da UOL…Parabéns pelo tema, foi legal analisar a opinião de marketeiros, donos de equipes, ex pilotos, palpeiteiros de plantão….etccc….